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Manoel de Oliveira
50 anos de carreira

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O documentário de Augusto M. Seabra e José Nascimento sobre a comemoração dos 50 anos de actividade cinematográfica de Manoel de Oliveira, foi um dos programas de referência do Magazine de Cinema ECRAN | RTP 1981

Manoel de Oliveira: 50 Anos de Carreira
DE AUGUSTO M. SEABRA E JOSÉ NASCIMENTO Riscos 24 Out, 19h, Culturgest – Grande Auditório

Em 1981 passavam 50 anos da estreia de Douro, Faina Fluvial e a efeméride justificou este filme feito para RTP. Augusto M. Seabra, crítico, e José Nascimento, realizador, chamaram a si a autoria de um dos primeiros objectos concebidos em torno do cinema de Oliveira. Que vivia um momento alto em termos de reconhecimento nacional e internacional. Amor de Perdição, em 1978, fora tão polémico em Portugal como aclamado no estrangeiro, e marcou o início da atenção da crítica internacional ao trabalho do realizador; Francisca, estreado em 1981, seria um inopinado sucesso em Portugal. Era também por esta altura que Oliveira, 73 anos, preparava o seu filme póstumo, Visita ou Memórias e Confissões, que só seria divulgado mais de três décadas depois. É claro que ninguém previa a longevidade de Oliveira, muito menos o facto de em 1981 a maior parte da sua obra estar ainda por fazer (só a partir desta altura é que entrou naquele inacreditável ritmo das últimas décadas). Mas nem isso obsta à validade deste filme. Vive de documentos preciosos, os depoimentos de colaboradores (da cúmplice Agustina à actriz Lia Gama, passando pelo operador Manuel Costa e Silva) e os depoimentos de observadores atentos (Alberto Seixas Santos, Henrique Alves Costa, Bénard da Costa). E do próprio, no máximo da sua energia mordaz, quer no que diz sobre os tempos passados, quer no que comenta sobre os aspectos mais essenciais do seu cinema. Acaba a repetir um dos seus credos – “o cinema não existe, só existe o teatro”, e o teatro é tudo o que o cinema pode filmar. Luís Miguel Oliveira