Pela Razão que Têm

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1976_pelarazaoquetem-1Pela Razão que Têm (1976) é um documentário de média-metragem de José Nascimento, um filme da cooperativa Cinequipa. Na linha do cinema militante, conta uma história representativa dos efeitos da Revolução dos Cravos em terras de Portugal.

Sinopse

Logo após a queda da ditadura salazarista, nos primeiros momentos do PREC, ocorre na aldeia das Quebradas, uma das primeiras ocupações de terras no país libertado. É a primeira ocupação «selvagem» desse período, com apoio ideológico da extrema esquerda, que sustenta um princípio basista na gestão dos meios e na construção do socialismo.

Logo após a «recuperação» de «terras que eram nossas e nos foram roubadas», elegem os trabalhadores uma comissão e formam uma cooperativa. Sente-se que a luta de classes atingiu o auge.  No filme, reconstituindo eventos, os ocupantes vão-nos dando conta das suas preocupações perante o volte face do golpe de 25 de Novembro. Cresce a violência reaccionária. São ordenadas buscas de armas dentro da cooperativa.

Entre os que atacam a Reforma Agrária, entra em cena a CAP, grandes senhores de terras daquelas bandas, com quartel-general em Rio Maior, vila a oitenta quilómetros de Lisboa e a uns oito de Quebradas. Perante tal gente, o povo da aldeia não verga. Esperam-nos de armas na mão. A luta será longa e dura.

Enquadramento histórico

Pelo seu propósito interventivo, enquadra-se na categoria de cinema militante, prática recorrente dos Kinoks portugueses da geração dos anos setenta. Em curtas, médias e longas-metragens, explorando os métodos do cinema directo, ocupando o seu espaço entre as obras pioneiras do novo cinema, o género prolifera no terreno fértil de Portugal, na segunda metade da década. Dois outros filme militantes da mesma época, retratando no Ribatejo outra “ocupação selvagem” de uma propriedade agrícola, são Cooperativa Agrícola da Torre-Bela de Luís Galvão Teles (1975) e Torre Bela (filme) de Thomas Harlan (1977).

Ficha técnica

Realização – José Nascimento
Produção – Cinequipa
Directores de produção – João Aboim e Américo Freitas
Imagem – Vítor Estêvão e Alexandre Gonçalves
Música – Zeca Afonso e Sérgio Godinho
Montagem – Monique Rutler e José Nascimento

 Portugal
1977 •  p/b •  44 min
Formato – 16 mm
Género – documentário
Distribuição – Cinequipa