Abr 252013
 

Fado Lusitano, uma curta de animação, em complemento ao filme Tarde Demais.

Entrevista ao professor Abi Feijó produzida por Pedro Cruz e Daniel Ribas realizada em 12 de Abril por Daniel Ribas e Bernardo Camisão

Screen Shot 2013-03-05 at 2.07.32 AMA nossa entrevista tinha como objectivo assinalar a estreia comercial de Fado Lusitano, uma curta de animação, produzida pelo Filmógrafo em 1995 e só estreada 5 anos depois, em complemento ao filme Tarde Demais.
Fomos encontrar o professor Abi Feijó, após uma conferência sobre cinema de animação, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, por ocasião do FestiVideo, um festival ainda novo, dedicado às novas formas do audiovisual. Apanhámo-lo por isso após cerca de hora e meia de conversa. Nada mais ideal para o que queríamos perguntar.
A conversa andou sempre à volta do cinema de animação, onde, manifestamente, o professor Abi Feijó se sente mais à vontade. Falámos de política, de economia, da nova geração, do Cinanima, e, claro, da sua carreira

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E O TARDE DEMAIS?
C de C – Para finalizar, acha que o seu filme está bem acompanhado, na exibição nas salas?
AF – O Tarde Demais? Achei interessante uma relação – estava a ver os cartazes dos dois filmes: os dois no meio da água. É uma relação com a água, com o mar e com os barcos, e portanto nesse sentido é interessante. Por outro lado o facto de ‘ser tarde demais’ – no meu caso não foi tarde demais, mais vale tarde do que nunca. Acaba por ser um pouco isso de as coisas estarem a ser levadas até ao extremo dos limites que é lógico levar-se. Agora o filme em si vê bem. Tem uma história muito forte. E tem as suas pequenas dificuldades. Sobretudo no início, no espaço físico – acho que sentia necessidade de afastar câmara, de sair dali, eu dizia: ‘afasta, afasta’. Nunca tivemos, nem nunca temos esse recuo que nos dê a localização, que nos situe a eles em relação às margens. E isso eu acho que é pena porque ajudava o dramatismo do filme. Mas eu depois estive a falar com o Zé Nascimento e ele disse-me: ‘pois é que não tinha meios técnicos para fazer, aquele plano do fim, se calhar devia ter existido mais cedo; só tive uma tarde, uma horita ou duas para filmar, porque a produção não disponibilizou o helicóptero’. São esse tipo de problemas, que são as limitações da produção nacional – não temos nunca os meios que são necessários. Por exemplo: os americanos, é preciso fazer uma cena de perseguição, e dar cabo de 20 carros… Aqui é preciso arranjar, alugar o helicóptero, que se calhar até é cedido por não sei quem, não sei quantos, mas é só ali, contadinho. …