Fev 022015
 

screen-shot-2015-06-02-at-18-23-45-296x300-1

Em BADLANDS (Terrence Malick, 1974), a voz off de Sissy Spacek (Kit) diz-nos: “Eu queria poder adormecer e ser levada para uma terra mágica qualquer, mas isso nunca aconteceu”. BADLANDS – o filme – não passa neste Ciclo mas dele retivemos o nome como sugestão para evocar alguns outros. “Há sempre tempo para mais uma história” (THE FOG, de John Carpenter, de quem veremos THEY LIVE). E há sempre tempo para mais um ponto de vista.
Filmes de personagens engolidos pela paisagem, pela imensidão da terra, que os absorve e lhes manda a vida. Filmes de Wandas que acordam sob os céus verde-ácido na extensão das carvoarias, repetindo sempre para si, baixinho, “I’m no good. I’m no good”. Em DUELO AO SOL (King Vidor, 1946), diz a lenda: “Uma flor selvagem e nunca antes vista, rebenta nos penhascos descarnados onde Pearl/Jennifer Jones morre, rápida a florir e cedo a morrer”. Vidas vagas e vastas como o território em que se inserem e onde “talvez não haja pecado e talvez não haja virtude, há apenas o que os homens fazem” (Casy/John Carradine, nas VINHAS DA IRA de John Ford). Há um crepúsculo que atravessa estes filmes onde aparece uma estrela única que nos faz olhar para trás, ou antes, olhar para dentro.
“Estás num filme ou na vida real? / Num filme! / Num filme? És um grande mentiroso!” (WEEK-END, Jean-Luc Godard). Recomeço impossível, reencontro/desencontro como Cottonmouth nos EVERGLADES antecipando o fim: “Ah! The sweet joys of this world!”.