Fado Lusitano

Fado Lusitano, uma curta de animação, em complemento ao filme Tarde Demais.

Entrevista ao professor Abi Feijó produzida por Pedro Cruz e Daniel Ribas realizada em 12 de Abril por Daniel Ribas e Bernardo Camisão

Screen Shot 2013-03-05 at 2.07.32 AMA nossa entrevista tinha como objectivo assinalar a estreia comercial de Fado Lusitano, uma curta de animação, produzida pelo Filmógrafo em 1995 e só estreada 5 anos depois, em complemento ao filme Tarde Demais.
Fomos encontrar o professor Abi Feijó, após uma conferência sobre cinema de animação, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, por ocasião do FestiVideo, um festival ainda novo, dedicado às novas formas do audiovisual. Apanhámo-lo por isso após cerca de hora e meia de conversa. Nada mais ideal para o que queríamos perguntar.
A conversa andou sempre à volta do cinema de animação, onde, manifestamente, o professor Abi Feijó se sente mais à vontade. Falámos de política, de economia, da nova geração, do Cinanima, e, claro, da sua carreira

(…)

E O TARDE DEMAIS?
C de C ‚Äď Para finalizar, acha que o seu filme est√° bem acompanhado, na exibi√ß√£o nas salas?
AF ‚Äď O¬†Tarde Demais? Achei interessante uma rela√ß√£o ‚Äď estava a ver os cartazes dos dois filmes: os dois no meio da √°gua. √Č uma rela√ß√£o com a √°gua, com o mar e com os barcos, e portanto nesse sentido √© interessante. Por outro lado o facto de ‘ser tarde demais’ ‚Äď no meu caso n√£o foi tarde demais, mais vale tarde do que nunca. Acaba por ser um pouco isso de as coisas estarem a ser levadas at√© ao extremo dos limites que √© l√≥gico levar-se. Agora o filme em si v√™ bem. Tem uma hist√≥ria muito forte. E tem as suas pequenas dificuldades. Sobretudo no in√≠cio, no espa√ßo f√≠sico ‚Äď acho que sentia necessidade de afastar c√Ęmara, de sair dali, eu dizia: ‘afasta, afasta’. Nunca tivemos, nem nunca temos esse recuo que nos d√™ a localiza√ß√£o, que nos situe a eles em rela√ß√£o √†s margens. E isso eu acho que √© pena porque ajudava o dramatismo do filme. Mas eu depois estive a falar com o Z√© Nascimento e ele disse-me: ‘pois √© que n√£o tinha meios t√©cnicos para fazer, aquele plano do fim, se calhar devia ter existido mais cedo; s√≥ tive uma tarde, uma horita ou duas para filmar, porque a produ√ß√£o n√£o disponibilizou o helic√≥ptero’. S√£o esse tipo de problemas, que s√£o as limita√ß√Ķes da produ√ß√£o nacional ‚Äď n√£o temos nunca os meios que s√£o necess√°rios. Por exemplo: os americanos, √© preciso fazer uma cena de persegui√ß√£o, e dar cabo de 20 carros… Aqui √© preciso arranjar, alugar o helic√≥ptero, que se calhar at√© √© cedido por n√£o sei quem, n√£o sei quantos, mas √© s√≥ ali, contadinho. …

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