{"id":1723,"date":"2011-09-03T00:52:58","date_gmt":"2011-09-03T00:52:58","guid":{"rendered":"http:\/\/josenascimento.com\/media\/?p=1723"},"modified":"2016-10-26T20:31:26","modified_gmt":"2016-10-26T20:31:26","slug":"conversa-com-carlos-melo-ferreira-jornal-dos-encontros-cinematograficos-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/conversa-com-carlos-melo-ferreira-jornal-dos-encontros-cinematograficos-2011\/","title":{"rendered":"Jornal dos Encontros Cinematogr\u00e1ficos 2011"},"content":{"rendered":"<p>CONVERSA COM JOS\u00c9 NASCIMENTO\u00a0por Carlos Melo Ferreira (Jornal dos Encontros Cinematogr\u00e1ficos 2011)<\/p>\n<p>JOS\u00c9 NASCIMENTO<br \/>\n1947 | Lisboa | Portugal<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-866\" src=\"http:\/\/www.luzlinar.org\/encontroscinematograficos\/wp-content\/uploads\/JoseNascimento.jpg\" alt=\"JoseNascimento\" width=\"150\" height=\"148\" \/><\/p>\n<p>Biografia:<br \/>\nInicia-se na realiza\u00e7\u00e3o para televis\u00e3o, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 25 de Abril \u00e9 s\u00f3cio fundador da Cooperativa de Cinema Experimental Cinequipa. Dedica-se tamb\u00e9m \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios. Durante alguns anos rege a cadeira de Montagem na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e trabalha na \u00e1rea de montagem e na assist\u00eancia de realiza\u00e7\u00e3o\u00a0de v\u00e1rios filmes.<br \/>\nRealiza a sua primeira longa-metragem em 1986. O filme, o Rep\u00f3rter x.<\/p>\n<p>Filmografia:<br \/>\n2006 \u2013 Lobos<br \/>\n2003 \u2013 R\u00e1dio Rel\u00e2mpago<br \/>\n2001 \u2013 A Hora da Morte<br \/>\n2000 \u2013 Tarde Demais<br \/>\n1989 \u2013 Mar \u00e0 Vista<br \/>\n1987 \u2013 Rep\u00f3rter X<br \/>\n1978 \u2013 Julho no Baixo Alentejo<br \/>\n1977 \u2013 Terra de P\u00e3o, Terra de Luta<br \/>\n1976 \u2013 Pela Raz\u00e3o Que Tem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CONVERSA COM JOS\u00c9 NASCIMENTO\u00a0por Carlos Melo Ferreira (Jornal dos Encontros Cinematogr\u00e1ficos 2011)<\/p>\n<p>Como \u00e9 que chegou ao cinema?<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 70 um amigo meu, o Paulo Gil, perguntou-me se queria trabalhar como assistente de realiza\u00e7\u00e3o no filme \u201cPerdido por cem\u2026\u201d de Ant\u00f3nio-Pedro Vasconcelos, o que obviamente aceitei (estava na mesma altura a fazer o servi\u00e7o militar nos Servi\u00e7os Cartogr\u00e1ficos do Ex\u00e9rcito). Mais tarde, comecei a trabalhar como assistente de realiza\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e montagem, nos programas Ensaio e Impacto, produzidos por Jo\u00e3o Martins para os canais 1 e 2 da RTP. Pouco depois Jo\u00e3o Martins integra uma empresa, a Planigrafe, com\u00a0a qual o grupo de trabalho, a equipa de cinema, entra em conflito. Desta luta forma-se imediata- mente a seguir ao 25 de Abril a cooperativa de cinema CINEQUIPA, que foi uma das respons\u00e1veis pelas primeiras imagens do 25 de Abril, no Largo do Carmo.<\/p>\n<p>Tem na sua filmografia dois document\u00e1rios, \u201cterra de p\u00e3o, terra de luta\u201d (1977) e \u201cJulho no baixo alentejo\u201d (1978), que s\u00e3o qualificados como \u201ccinema militante\u201d. Qual \u00e9 o significado que lhes atribui?<\/p>\n<p>Da luta dentro da empresa Planigrafe surgiu uma consci\u00eancia pol\u00edtica e uma solidariedade que\u00a0se estendeu \u00e0s lutas dos outros trabalhadores portugueses contra a injusti\u00e7a e o predom\u00ednio da mentalidade salazarista nas estruturas sociais do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Porque realiza a sua primeira longa-metragem de fic\u00e7\u00e3o, \u201crep\u00f3rter X\u201d (1987), t\u00e3o tardiamente?<\/p>\n<p>Depois do processo pol\u00edtico (a revolu\u00e7\u00e3o) ter sido neutralizado, h\u00e1 uma recess\u00e3o na colabora\u00e7\u00e3o das cooperativas de cinema, sobretudo da Cinequipa e da Cinequanon, com a RTP. Pouco depois, e com as dificuldades econ\u00f3micas a fazerem press\u00e3o sobre a capacidade de produ\u00e7\u00e3o das cooperativas, h\u00e1 uma crise subsequente e um desmembramento dos associados das cooperativas. Nessa altura, passo a trabalhar como freelancer para garantir a sobreviv\u00eancia do meu agregado familiar. S\u00f3 ent\u00e3o mais tarde \u00e9 que surge a oportunidade de fazer o meu primeiro filme de fic\u00e7\u00e3o \u201cReporter X\u201d, a partir de uma conversa com o Jos\u00e9 Matos-Cruz.<\/p>\n<p>Porque fez at\u00e9 agora t\u00e3o poucos filmes para cinema?<\/p>\n<p>Isto de fazer cinema em Portugal \u00e9 muito complicado\u2026 Para me manter independente dos lobies pol\u00edticos do final dos anos 70 e dos lobies culturais dos anos 80 e seguintes tive que pagar um pre\u00e7o. Para al\u00e9m disso os crit\u00e9rios de atribui\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios s\u00e3o subjectivos e, em geral, n\u00e3o levam em conta a experi\u00eancia, o CV.<\/p>\n<p>Fale-me um pouco de \u201ctarde Demais\u201d, que penso ser o seu filme mais importante at\u00e9 hoje. Qual a origem do projecto? Como decorreram as filmagens? e o trabalho com os actores?<\/p>\n<p>O filme parte de um epis\u00f3dio ver\u00eddico, de que tive conhecimento, atrav\u00e9s de um amigo, o Lu\u00eds Mesquita, de um artigo publicado na revista Expresso \u00a0pela jornalista Laurinda Alves. Soube, entretanto, que um dos pescadores que morreu era o pai da Fernanda Fragateiro, artista pl\u00e1stica de quem sou amigo.<\/p>\n<p>Fiz uma pesquisa e escrevi o argumento com o Jo\u00e3o Canijo, adaptando a hist\u00f3ria para o cinema. O filme foi produzido pelo Paulo Branco e come\u00e7ou por ter dois directores de produ\u00e7\u00e3o com os quais as coisas correram mal. Primeiro falaram-me em\u00a09 semanas de rodagem e acabei por ter apenas\u00a07, mas as filmagens correram muito bem, sem conflitos e com o empenho total de toda a equipa. Na altura, estava em Portugal uma equipa inglesa a rodar um filme que se passava numa caravela. Contactei o especialista pelas filmagens mar\u00edtimas e tive com ele uma conversa que era para durar o tempo de um caf\u00e9 e acabou por se estender at\u00e9\u00a0\u00e0s 3 da manh\u00e3, o que me permitiu organizar a rodagem de \u201cTarde Demais\u201d em diferentes locais do Tejo: numa praia de Alcochete, no cais do Parque da Na\u00e7\u00f5es e no Mar da Palha.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de realizador, tem feito a montagem de v\u00e1rios filmes portugueses de diferentes realizadores. Qual a import\u00e2ncia que atribui \u00e0 montagem no cinema e nos seus filmes?<\/p>\n<p>A montagem \u00e9 uma das fases mais importantes, sen\u00e3o a mais importante, da cria\u00e7\u00e3o de um filme. \u00c9 o lugar onde se pode ganhar ou perder um filme.<\/p>\n<p>Quais as influ\u00eancias cinematogr\u00e1ficas que reconhece ter recebido? De quem se sente mais pr\u00f3ximo no cinema portugu\u00eas?<\/p>\n<p>Influ\u00eancias? Sobretudo dos grandes realizadores da hist\u00f3ria do Cinema. De quem me sinto mais pr\u00f3ximo? Do Jos\u00e9 \u00c1lvaro Morais, de quem gostava muito.<\/p>\n<p>Porque escolheu o filme \u201cJaime\u201d, de Ant\u00f3nio Reis, para ser apresentado nestes Encontros Cinematogr\u00e1ficos da Guarda?<\/p>\n<p>Podia ter escolhido \u201cUma Abelha na Chuva\u201d, do Fernando Lopes ou o \u201cO Rio do Ouro\u201d, do Paulo Rocha, mas o filme que mais me marcou nos meus verdes anos foi o \u201cJaime\u201d do Ant\u00f3nio Reis pela simplicidade na abordagem e na capacidade de aprofundamento sobre a personagem do Jaime.<\/p>\n<p>O que pensa do actual cinema portugu\u00eas?<\/p>\n<p>H\u00e1 hoje em dia um cinema mais art\u00edstico e mais comunicativo, mas penso que falta ao cinema portugu\u00eas dar ainda mais um passo.<\/p>\n<p>Tem projectos para o futuro?<\/p>\n<p>Claro que sim. Tenho v\u00e1rios, um dos quais para ser rodado no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONVERSA COM JOS\u00c9 NASCIMENTO\u00a0por Carlos Melo Ferreira (Jornal dos Encontros Cinematogr\u00e1ficos 2011) JOS\u00c9 NASCIMENTO 1947 | Lisboa | Portugal Biografia: Inicia-se na realiza\u00e7\u00e3o para televis\u00e3o, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 25 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1723","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1723"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1723\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1879,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1723\/revisions\/1879"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}