{"id":2024,"date":"2017-04-14T17:51:36","date_gmt":"2017-04-14T17:51:36","guid":{"rendered":"http:\/\/josenascimento.com\/media\/?p=2024"},"modified":"2021-08-30T16:15:50","modified_gmt":"2021-08-30T16:15:50","slug":"silencios-do-olhar-na-cinemateca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/silencios-do-olhar-na-cinemateca\/","title":{"rendered":"Sil\u00eancios do Olhar na Cinemateca Portuguesa"},"content":{"rendered":"<h2>Sil\u00eancios do Olhar &#8211; 2 de maio na Cinemateca Portuguesa<\/h2>\n<p>Sala M. F\u00e9lix Ribeiro | Ter. [2] 21:30<br \/>\nSIL\u00caNCIOS DO OLHAR<br \/>\nde Jos\u00e9 Nascimento<br \/>\nPortugal, 2017 \u2013 104 min | M\/12<br \/>\ncom a presen\u00e7a de Jos\u00e9 Nascimento<br \/>\nUma homenagem de Jos\u00e9 Nascimento a um dos realizadores<br \/>\nque mais saudades deixou no cinema portugu\u00eas: Jos\u00e9 \u00c1lvaro<br \/>\nMorais (1943-2004). SIL\u00caNCIOS DO OLHAR, exibido no<br \/>\ndoclisboa 2016, conta com a participa\u00e7\u00e3o de testemunhos de<br \/>\ncolaboradores diretos e pessoas que privaram com o realizador<br \/>\nde O BOBO (1987) e QUARESMA (2003).<\/p>\n<h2><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2041\" src=\"http:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/04\/Sil\u00eancios-do-Olhar-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/04\/Sil\u00eancios-do-Olhar-1.jpeg 1920w, https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/04\/Sil\u00eancios-do-Olhar-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/04\/Sil\u00eancios-do-Olhar-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/04\/Sil\u00eancios-do-Olhar-1-1024x576.jpeg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Folha de Sala<\/strong><\/p>\n<p>SIL\u00caNCIOS DO OLHAR<\/p>\n<p>Com o Z\u00e9 \u00c1lvaro, vivi as ilus\u00f5es e os sonhos de uma gera\u00e7\u00e3o marcada por uma profunda transforma\u00e7\u00e3o social em Portugal. Tivemos uma proximidade e uma cumplicidade que nos uniu no prazer do cinema e da vida.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma correspond\u00eancia entre a vida e a obra, um retrato in\u00e9dito, intimo e discreto, uma s\u00f3lida teia de amizades e amores que sustentaram a exist\u00eancia do Z\u00e9 \u00c1lvaro durante os momentos mais \u201c\u00e1ridos\u201d da sua vida profissional.<\/p>\n<p>Refiro-me obviamente ao \u201cO BOBO\u201d (1979-1987), filme distinguido em Locarno com o Leopardo de Ouro, obra impar no cinema portugu\u00eas, que cont\u00e9m a diversidade e complexidade das rela\u00e7\u00f5es humanas: a fam\u00edlia, a opress\u00e3o, a rebeldia e a liberta\u00e7\u00e3o, temas omnipresentes que revelam crises existenciais e que pontuaram a vida de um cineasta reservado, obsessivo, culto e complexo, num \u201c pa\u00eds que agarra as pessoas com tanta for\u00e7a ao mesmo tempo que lhes d\u00e1 vontade de fugir\u201d.<\/p>\n<p>Este filme n\u00e3o quis ser apenas uma homenagem p\u00f3stuma a um realizador prematuramente desaparecido, nem t\u00e3o pouco ficar-se pelo trabalho meramente biogr\u00e1fico. Quis ser, fundamentalmente, um projecto de descoberta da forma como a obra se polarizou em torno de si pr\u00f3prio, estabelecendo uma \u201carqueologia\u201d que revela, na intimidade, as op\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas e afectivas da sua obra, bem como o reflexo da dilui\u00e7\u00e3o da sua personalidade em cada filme.<\/p>\n<p>Na tessitura dos seus filmes fluem temas que estabelecem pontos de conson\u00e2ncia e continuidade: do Cantigamente N\u00ba3 perpassou a musicalidade para os travellings do Bobo, como que numa \u201corquestra\u00e7\u00e3o\u201d de elipses e de organiza\u00e7\u00e3o estrutural da linguagem e que regressa em diferentes n\u00edveis no Peixe Lua, ou na representa\u00e7\u00e3o do eros m\u00edtico, das cenas ligadas ao toureio, presentes em Z\u00e9firo e Peixe Lua, como que provando a exist\u00eancia de um processo fantasm\u00e1tico que habita os filmes do Z\u00e9 \u00c1lvaro.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o pela montagem, lugar \u00faltimo da cria\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, era para o Z\u00e9 o meio ideal para o \u201cquebra cabe\u00e7as\u201d das espirais narrativas, do sentido el\u00edptico da escrita, da rima entre actores, guarda-roupa, cenografia, luz e movimentos de c\u00e2mara, mat\u00e9rias com que se fazem os filmes.<\/p>\n<p>Singularmente o Z\u00e9 \u00c1lvaro era, mais que um grande contador de hist\u00f3rias, um ouvinte confesso das hist\u00f3rias dos outros, tend\u00eancia fundada na cinefilia obsessiva [ um \u201crato de cinemateca\u201d ], refer\u00eancias que se descobrem nos seus filmes, num tra\u00e7o fino de Visconti, numa recusa quase Bu\u00f1ueliana ao neo-realismo, no erotismo de Pasolini ou como subtilmente anuncia a sua pr\u00f3pria morte em Quaresma; representa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas que revelam o secretismo imanente na obra do Z\u00e9 \u00c1lvaro.<\/p>\n<p>Bem hajas Z\u00e9 \u00c1lvaro, pelo \u201crasto luminoso\u201d que deixaste no Cinema Portugu\u00eas!<\/p>\n<p>Lisboa 2 de maio de 2017<br \/>\nJos\u00e9 Nascimento<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-large wp-image-2057\" src=\"http:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/04\/cinemateca-1024x634.jpg\" alt=\"\" width=\"695\" height=\"430\" srcset=\"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/04\/cinemateca-1024x634.jpg 1024w, https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/04\/cinemateca-300x186.jpg 300w, https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/04\/cinemateca-768x475.jpg 768w, https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2017\/04\/cinemateca.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 695px) 100vw, 695px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sil\u00eancios do Olhar &#8211; 2 de maio na Cinemateca Portuguesa Sala M. 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