{"id":2157,"date":"2020-04-25T17:06:04","date_gmt":"2020-04-25T17:06:04","guid":{"rendered":"http:\/\/josenascimento.com\/media\/?p=2157"},"modified":"2021-08-30T15:54:26","modified_gmt":"2021-08-30T15:54:26","slug":"terra-de-pao-25-de-abril-cinemateca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/terra-de-pao-25-de-abril-cinemateca\/","title":{"rendered":"Terra de P\u00e3o, Terra de Luta . 25 de Abril"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"352\" src=\"http:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2020\/09\/500full-terra-de-pao-terra-de-luta-screenshot.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2162\" srcset=\"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2020\/09\/500full-terra-de-pao-terra-de-luta-screenshot.jpg 500w, https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-content\/uploads\/sites\/19\/2020\/09\/500full-terra-de-pao-terra-de-luta-screenshot-284x200.jpg 284w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">TERRA DE P\u00c3O, TERRA DE LUTA \/ 1977<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por&nbsp;<a href=\"http:\/\/25deabril.cinemateca.pt\/author\/nuno-rodriguesdacostagmail-com\/\">Cinemateca<\/a>&nbsp;&nbsp;\u00b7&nbsp;em Abril, 2020<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TERRA DE P\u00c3O, TERRA DE LUTA \/ 1977<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>um filme de&nbsp;<\/em>Jos\u00e9 Nascimento<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Realiza\u00e7\u00e3o<\/em>: Jos\u00e9 Nascimento&nbsp;<em>Fotografia<\/em>: V\u00edtor Estev\u00e3o, Alexandre Gon\u00e7alves&nbsp;<em>Som<\/em>: Carlos Alberto Lopes, Jorge L. Gon\u00e7alves&nbsp;<em>Montagem:&nbsp;<\/em>Jos\u00e9 Nascimento, Monique Rutler, V\u00edtor Matias Ferreira&nbsp;<em>Texto<\/em>: V\u00edtor Matias Ferreira&nbsp;<em>Locu\u00e7\u00e3o<\/em>: Joaquim Furtado&nbsp;<em>Colabora\u00e7\u00e3o<\/em>: Ricardo Costa, Fausto Giacconi&nbsp;<em>M\u00fasica<\/em>: \u201cMarcolino\u201d (Fausto), \u201cSaias\u201d (Sheila, Vitorino), \u201cGreve de um Dia de Ver\u00e3o\u201d (Vitorino), \u201cTens a For\u00e7a dos Ventos\u201d, \u201cBalada Para Catarina Euf\u00e9mia\u201d (Zeca Afonso), \u201cTralhoada\u201d (popular, M. Giacometti), \u201cModa do Varejo\u201d (popular\u201d, \u201cJ\u00e1 Deixei o Alentejo\u201d (popular, Grupo Coral da Vidigueira).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Produ\u00e7\u00e3o<\/em>: Cinequipa \u2013 Grupo de Cinema Experimental (Portugal, 1977)&nbsp;<em>Produ\u00e7\u00e3o Executiva<\/em>: Jo\u00e3o Faria Aboim, Gabriela Cerqueira&nbsp;<em>C\u00f3pia<\/em>: Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema (a partir de material 16 mm, preto-e-branco e cor, 68 minutos)&nbsp;<em>Primeiras exibi\u00e7\u00f5es na Cinemateca<\/em>: Julho de 1980 (\u201cPanorama do Cinema Portugu\u00eas\u201d); 16 de Abril de 1984 (\u201c25 de Abril \u2013 Imagens\u201d)&nbsp;<em>Primeira exibi\u00e7\u00e3o da c\u00f3pia preservada em 2001<\/em>: 6 de Abril de 2004 (\u201cAbril depois de Abril\u201d| Abrir os Cofres\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">__________________________________<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TERRA DE P\u00c3O, TERRA DE LUTA faz parte das produ\u00e7\u00f5es politicamente empenhadas do n\u00facleo de filmes que na Hist\u00f3ria do cinema portugu\u00eas convencionou chamar-se \u201cCinema de Abril\u201d remetendo para a ebuli\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e p\u00f3s-revolucion\u00e1ria de 1974. A longa-metragem realizada por Jos\u00e9 Nascimento para a Cinequipa reveste hoje o valor de um documento, tanto das convuls\u00f5es que se viviam como do cinema que se fazia em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lembre-se que a Cinequipa, ligada aos irm\u00e3os Jo\u00e3o e Fernando Matos Silva, foi uma das cooperativas de cineastas formadas para registar os acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril de 1974. Filmado dois anos depois dessa data, j\u00e1 num momento em que as cis\u00f5es sociais e pol\u00edticas atravessavam a sociedade portuguesa, TERRA DE P\u00c3O, TERRA DE LUTA foca muito precisamente o processo pol\u00edtico da Reforma Agr\u00e1ria partindo da ideia do slogan com o qual este se identificou, e que passou a referenci\u00e1-lo historicamente: \u201cA terra a quem a trabalha.\u201d Neste filme, em que os cr\u00e9ditos s\u00e3o fornecidos no gen\u00e9rico de fim que o conclui, a assinatura colectiva dos primeiros trabalhos da Cinequipa em 1974 e 1975, n\u00e3o se perdendo, \u00e9 ligeiramente esbatida, como em \u201cfolha\u201d anterior sobre o mesmo filme se notava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lembre-se ainda que nos dois primeiros anos de actividade, a Cinequipa produziu sobretudo curtas e m\u00e9dias metragens, a primeira e mais conhecida das quais \u00e9 CAMINHOS DA LIBERDADE. As primeiras longas-metragens da cooperativa surgiriam em 1976: CAVALGADA SEGUNDO S. JO\u00c3O, O BAPTISTA, de Jo\u00e3o Matos Silva, e PELA RAZ\u00c3O QUE T\u00caM, de Jos\u00e9 Nascimento. Seguiram-se CONTRA AS MULTINACIONAIS, TERRA DE P\u00c3O, TERRA DE LUTA; duas obras de Fernando Matos Silva em 78 e 80 &nbsp;\u2013 O MEU NOME \u00c9\u2026 e ACTO DOS FEITOS DA GUIN\u00c9; em 81, ANTES A SORTE QUE TAL MORTE, de Jo\u00e3o Matos Silva. Jos\u00e9 Nascimento estava pois ligado \u00e0 Cinequipa e tinha nesse mesmo ano de 1977 participado na produ\u00e7\u00e3o colectiva CONTRA AS MULTINACIONAIS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TERRA DE P\u00c3O, TERRA DE LUTA inscreve-se explicitamente no contexto militante da maioria da produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica desses anos&nbsp;<em>de<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>post<\/em>&nbsp;Revolu\u00e7\u00e3o, conduzido por um coment\u00e1rio em&nbsp;<em>off<\/em>&nbsp;\u2013 da autoria de V\u00edtor Matias Ferreira, pela voz de Joaquim Furtado \u2013 que procura fundamentar hist\u00f3rica, social e politicamente a forma\u00e7\u00e3o do sistema latifundi\u00e1rio do Alentejo e descrever a conquista das terras pelas massas populares a seguir ao 25 de Abril e a respectiva organiza\u00e7\u00e3o colectiva do trabalho da sua explora\u00e7\u00e3o. Guiado por esse coment\u00e1rio, simbolicamente precedido pela inscri\u00e7\u00e3o na imagem das palavras de um chefe \u00edndio em 1854 que basicamente postula que \u201ca terra n\u00e3o pertence ao homem, o homem pertence \u00e0 terra\u201d, o retrato desse controverso processo de Reforma Agr\u00e1ria confere um sentido \u00e0s imagens, obedecendo \u00e0 l\u00f3gica de milit\u00e2ncia inerente ao filme. Ou seja, a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que antecede TERRA DE P\u00c3O, TERRA DE LUTA \u00e9 transparente e assumida como discurso pr\u00e9vio \u00e0s imagens, que articula pelo coment\u00e1rio em&nbsp;<em>off<\/em>. Trata-se aqui da demonstra\u00e7\u00e3o da necessidade de liberta\u00e7\u00e3o do Alentejo dos \u201cmil anos de servid\u00e3o\u201d a que foi sujeito pela instaura\u00e7\u00e3o continuada de um sistema de produ\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es feudais. O objectivo da luta dos trabalhadores agr\u00edcolas alentejanos cujas imagens s\u00e3o dadas a ver no tempo presente da ac\u00e7\u00e3o assume assim a forma de uma luta contra um passado ancestral que culminou nos anos de ditadura salazarista deixando como pesado legado uma situa\u00e7\u00e3o que simultaneamente afecta o estado da agricultura e as condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para l\u00e1 da sua dimens\u00e3o \u201cinterventiva\u201d apoiada num discurso que se apresenta tanto hist\u00f3rico como did\u00e1ctico (s\u00e3o apontadas raz\u00f5es e \u00e9 apresentado um diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o passada e presente at\u00e9 que se conclua que \u201cno Alentejo a luta continua\u201d), TERRA DE P\u00c3O, TERRA DE LUTA indica uma consci\u00eancia propriamente cinematogr\u00e1fica, incorporando elementos de proveni\u00eancias distintas. Dela participam o trabalho da banda sonora, a montagem de imagens a preto-e-branco e cor captadas em momentos diferentes (incluem-se por exemplo, imagens de festas e ca\u00e7adas dos \u201csenhores da terra\u201d que remetem para o tempo anterior), e a montagem de depoimentos onde cabem, al\u00e9m dos trabalhadores, os de algumas figuras vindas de outras esferas. Destaquem-se em particular os depoimentos das trabalhadoras, num tro\u00e7o do filme dedicado a retratar a condi\u00e7\u00e3o discriminat\u00f3ria a que as mulheres trabalhadoras do Alentejo foram especialmente votadas, sendo que um dos seus mais articulados testemunhos \u00e9 justamente o de uma trabalhadora rural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria Jo\u00e3o Madeira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TERRA DE P\u00c3O, TERRA DE LUTA \/ 1977 Por&nbsp;Cinemateca&nbsp;&nbsp;\u00b7&nbsp;em Abril, 2020 TERRA DE P\u00c3O, TERRA DE LUTA \/ 1977 um filme de&nbsp;Jos\u00e9 Nascimento Realiza\u00e7\u00e3o: Jos\u00e9 Nascimento&nbsp;Fotografia: V\u00edtor Estev\u00e3o, Alexandre Gon\u00e7alves&nbsp;Som: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2162,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2157","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-docs"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2157"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2157\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2163,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2157\/revisions\/2163"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2162"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}