{"id":2269,"date":"2022-03-05T00:58:25","date_gmt":"2022-03-05T00:58:25","guid":{"rendered":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/?p=2269"},"modified":"2024-04-29T15:05:19","modified_gmt":"2024-04-29T15:05:19","slug":"casa-flutuante-nos-cinemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/casa-flutuante-nos-cinemas\/","title":{"rendered":"CASA FLUTUANTE * Exibi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Portugal 2021  &#8211;  Dura\u00e7\u00e3o 110\u2019 <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O argumento CASA FLUTUANTE escrito com Ana Pissarra, nasceu de v\u00e1rias conflu\u00eancias tem\u00e1ticas, como a Viagem Philosophica de Alexandre Rodrigues Ferreira e foi um longo processo de investiga\u00e7\u00e3o em torno de uma personagem com identidade ligada a uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com o rio. Inspirada na avieira que conhecemos em 2017, Margarida nasceu e cresceu dentro de um barco nas margens do Tejo e manteve com o rio uma rela\u00e7\u00e3o de sessenta anos que se transformou quando as c\u00e2maras do Ribatejo desalojaram os avieiros e destru\u00edram as casas palafitas ribeirinhas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cultura avieira tem um forte paralelismo com os povos ind\u00edgenas que habitam as margens do rio Amazonas e foi desta conflu\u00eancia que nasceu a personagem Araci, \u00edndia e emigrante, um corpo deslocado com quem o portugu\u00eas In\u00e1cio construiu um lar nas margens do Tejo, na primeira vers\u00e3o e depois no Guadiana na vers\u00e3o final. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Araci reinventa \u00e0 sua volta um microcosmo on\u00edrico onde ver\u00e1 crescer a neta Joana mas que lhe fecha o futuro. Se por um lado a heran\u00e7a cultural que lhe transmite n\u00e3o a integra na comunidade alentejana, por outro, o rio j\u00e1 n\u00e3o tem peixe e a perman\u00eancia da casa flutuante na \u00e1gua vai ser amea\u00e7ada pelo poder local. A chegada de uma terceira personagem, Xavier, que emigrou com os pais para a Alemanha e que regressa \u00e0 procura das ra\u00edzes familiares, vai fazer emergir o conflito de Joana. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m o romance \u201cA Jangada\u201d de Jules Verne sobre a Amaz\u00f3nia exp\u00f5e um continuum de destrui\u00e7\u00e3o da floresta Amaz\u00f3nica do s\u00e9c. XIX ao XXI, e revela a personagem Minha, neta de um fazendeiro colonialista portugu\u00eas, com quem Joana se idealiza nos sonhos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regi\u00e3o de M\u00e9rtola pareceu-nos o lugar ideal para fazer o filme: t\u00ednhamos o rio e as azenhas, locais ideais para estabelecermos a casa flutuante de madeira &#8211; universo identit\u00e1rio de Araci; a casa abandonada de In\u00e1cio e as minas de S. Domingos, onde ele tinha trabalhado antes de emigrar e a casa senhorial mandada construir por um emigrante brasileiro, que serviria de d\u00e9cor \u00e0 personagem de Adriana e que hoje faz parte do patrim\u00f3nio municipal. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para dar corpo \u00e0 personagem de Araci, veio do Brasil a Carolina Virgu\u00ebz, actriz premiada pela Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Teatro, cuja intelig\u00eancia e sensibilidade criou de imediato uma cumplicidade inspiradora para muitas das cenas do filme e que se estendeu de forma contagiante sobretudo aos actores mais jovens, a In\u00eas Pires Tavares e o Bernardo Mayer. Depois, a Carla Maciel, que deu corpo \u00e0 personagem de Adriana com grande generosidade e mestria e o V\u00edtor Norte, com quem j\u00e1 tinha trabalhado em Tarde Demais e Lobos. Finalmente o Gustavo Sumpta, tamb\u00e9m ele vindo do filme Tarde Demais, que aqui representa a personagem de Leo, um pescador. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois tive apoios fundamentais: a Ana Pissarra na direc\u00e7\u00e3o de Arte, o Jo\u00e3o Santana na direc\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o, o Aur\u00e9lio Vasques na Fotografia, o Flak na M\u00fasica e obviamente toda a equipa que constitui a base que permitiu que o filme fosse rodado em poucas semanas, organizado quase totalmente em planos fixos, de forma a respeitar o mapa de trabalho. Com o Jos\u00e9 Mazeda, todo o processo que culmina  com a apresenta\u00e7\u00e3o do filme. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para as cenas na Amaz\u00f3nia, t\u00ednhamos inicialmente centrado a pesquisa na comunidade Ticuna, mas depois das pol\u00edticas de Bolsonaro a comunidade ind\u00edgena recusou-se a receber a equipa de filmagens, como forma de protesto pol\u00edtico e de resist\u00eancia. Com o apoio da FUNAI, abandon\u00e1mos a ideia de filmar no norte do Brasil e descemos para Cruzeiro do Sul, no Acre, terra dos Puyanawa, comunidade que procura recuperar a sua cultura e identidade, destru\u00eddas desde os prim\u00f3rdios do s\u00e9c. XX, ap\u00f3s terem sido expropriados por um Coronel propriet\u00e1rio do Seringal Bar\u00e3o do Rio Branco e escravizados na extra\u00e7\u00e3o de borracha. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Rio Branco encontr\u00e1mos v\u00e1rias \u00e1reas de floresta queimada, que foram d\u00e9cor do filme. No avi\u00e3o de regresso a Bras\u00edlia confirm\u00e1mos a exist\u00eancia de v\u00e1rias frentes de fogo no meio do verde &#8211; a floresta n\u00e3o p\u00e1ra de arder&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CASA FLUTUANTE \u00e9 dedicado \u00e0 Floresta Amaz\u00f3nica, \u00e0s comunidades ind\u00edgenas que lutam pela sua preserva\u00e7\u00e3o e a todos que com ela mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o de amor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal 2021 &#8211; Dura\u00e7\u00e3o 110\u2019 O argumento CASA FLUTUANTE escrito com Ana Pissarra, nasceu de v\u00e1rias conflu\u00eancias tem\u00e1ticas, como a Viagem Philosophica de Alexandre Rodrigues Ferreira e foi um longo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2270,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2269","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-docs"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2269","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2269"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2269\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2295,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2269\/revisions\/2295"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/josenascimento.com\/media\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}