{"id":553,"date":"2013-10-09T12:46:44","date_gmt":"2013-10-09T12:46:44","guid":{"rendered":"http:\/\/josenascimento.com\/tardedemais\/?page_id=553"},"modified":"2024-10-02T13:33:35","modified_gmt":"2024-10-02T13:33:35","slug":"argumento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/josenascimento.com\/tardedemais\/argumento\/","title":{"rendered":"Argumento"},"content":{"rendered":"\n<p>TARDE DEMAIS conta a hist\u00f3ria de quatro homens que tentam sobreviver ao naufr\u00e1gio de uma velha canoa de pesca no meio do rio Tejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s horas de submers\u00e3o esperam a luz da manh\u00e3 e a baixa da mar\u00e9 para poderem caminhar entre os bancos de ostras e chegarem a uma das duas ilhas aluviais, em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 margem. Mas a longa espera e a temperatura gelada da \u00e1gua deixou-os com os corpos debilitados e os pensamentos turvos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os caminhos escolhidos para chegarem \u00e0 margem reservam perigos e sacrif\u00edcios inesperados. A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece \u00f3bvia.\u201cOlhem que isto \u00e9 perto de olho e longe de bra\u00e7o\u201d diz Ant\u00f3nio (Carlos Santos), o mais velho, que volta para o barco.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mais novos continuam a caminhada mas as opini\u00f5es dividem-se e os conflitos emergentes separam-nos inevitavelmente. Os bancos de ostras cortam-lhes os p\u00e9s, as correntes do rio arrastam-lhes os corpos. O lodo suga-lhes o movimento lento das pernas.<\/p>\n\n\n\n<p>Joaquim (Nuno Melo), o mais forte, v\u00ea-se obrigado a voltar para o barco, para junto de Ant\u00f3nio. Manel (Adriano Luz), depois de nadar at\u00e9 ao mouch\u00e3o da P\u00f3voa chega exausto, mas Z\u00e9 (V\u00edtor Norte), o dono da traineira, continua em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 margem. Anoitece.<br>Em terra, as fam\u00edlias tentam desesperadamente arranjar meios para os salvar. Jo\u00e3o (Francisco Nascimento), filho de Z\u00e9, parte com Mestre Vau para o rio em busca deles.<\/p>\n\n\n\n<p>A noite j\u00e1 vai longa quando a pol\u00edcia mar\u00edtima inicia uma busca no rio. A salva\u00e7\u00e3o tarda e os quatro pescadores est\u00e3o \u00e0 beira de serem derrotados pelo frio e pelo desespero.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Argumento : Jo\u00e3o Canijo \/ Jos\u00e9 Nascimento a partir de um artigo de Laurinda Alves no &#8220;Independente&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Era sempre \u00e1gua em cima da gente, sempre, sempre&#8230;&#8221;, recorda-se Manuel Aranha, hoje o \u00fanico sobrevivente de um naufr\u00e1gio no Tejo, em 1995, em que morreram dois colegas pescadores, v\u00edtimas do frio e do cansa\u00e7o. &#8220;Tarde Demais&#8221; \u00e9 a reconstitui\u00e7\u00e3o, fantasmag\u00f3rica, dessa trag\u00e9dia que aconteceu com Lisboa \u00e0 vista.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o aconteceu h\u00e1 muito tempo. Em 1995, enquanto nos terrenos do que viria a ser o Parque das Na\u00e7\u00f5es se faziam trabalhos de terraplenagem e, mais acima, os trabalhadores erguiam os pilares da Ponte Vasco da Gama, a alguns metros no meio do Tejo naufragava uma fragata com quatro pescadores. Enquanto o sol nascia, subia, descia e desaparecia de novo, eles lutavam pela vida.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><div>Vencendo a \u00e1gua, as ondas, o vento e o frio, de membros tolhidos, p\u00e9s cortados e em hipotermia, Manuel Aranha chegou a terra. Quase 24 horas depois de ter sa\u00eddo para o mar, em coma, cara roxa e corpo negro, Ant\u00f3nio Fragateiro era salvo. Para Joaquim Silva e Jos\u00e9 Fragateiro era tarde demais.&#8221;Tarde Demais&#8221; \u00e9 exactamente o t\u00edtulo sob o qual o cineasta Jos\u00e9 Nascimento recuperou a trag\u00e9dia que primeiro se revelou ao pa\u00eds nas p\u00e1ginas da revista do seman\u00e1rio &#8220;Independente&#8221;.\u00a0<\/div><\/p>\n\n\n\n<p><div>A jornalista Laurinda Alves, actual directora da revista &#8220;Xis&#8221;, do &#8220;Correio da Manh\u00e3&#8221;, e cronista da P\u00fablica, chamou &#8220;Morrer a meio de um dia&#8221; \u00e0 hist\u00f3ria que, at\u00e9 hoje, mais a tocou. &#8220;Passava das seis e meia. A madrugada gelava os ossos e arrepiava os gestos. Chovia sem parar. Quatro vultos deitavam as m\u00e3os \u00e0s redes com o vigor de quem luta pela vida&#8221;, come\u00e7ava a reportagem. Como a trag\u00e9dia.Apenas minutos depois de recolhidas as redes, terminada a faina, j\u00e1 com a ideia de um regresso a casa em mente, os pescadores descobriam no costado do barco um rombo por onde a \u00e1gua entrava em cach\u00e3o. <\/div><\/p>\n\n\n\n<p><div>&#8220;A bomba n\u00e3o deu vencimento, a \u00e1gua era muita&#8221;, conta Manuel Aranha, o \u00fanico sobrevivente ainda vivo. E pouco havia a fazer.A voz, hoje, n\u00e3o denota m\u00e1goa nem ansiedade. \u00c9 segura, despojada. Apenas pelos olhos, quando no fim de uma frase eles se fixam no vazio, passa uma nuvem. Como se olhasse de longe a hist\u00f3ria. &#8220;E j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o cinco [anos]. Foi no m\u00eas dos meus anos, Novembro. Fiz a 18 e isso foi a 29.&#8221; Era um dia frio que n\u00e3o viu o sol e ficou na mem\u00f3ria do pescador como &#8220;um dia muito ruim&#8221;. O nevoeiro deixava o horizonte a metros, envolvendo os n\u00e1ufragos e o barco, que se afundou em meia hora. &#8220;Ainda passaram l\u00e1 uns barcos, dois, salvo erro, que vinham l\u00e1 de cima do lado de Vila Franca, barcos que andam a carregar areia. Passaram e o mestre n\u00e3o conseguiu ver a gente. Mas n\u00e3o estavam muito longe, passaram perto.<\/div><\/p>\n\n\n\n<p><div>&#8220;Os quatro homens viram-nos passar e continuaram agarrados ao guindaste, a \u00fanica parte do barco que se erguia acima da \u00e1gua. &#8220;Era praia-mar, a \u00e1gua estava cheia e a gente n\u00e3o podia largar o barco: mesmo com os coletes, com as ondas que faziam, a gente morria na mesma. Morria porque as ondas iam sufocar a gente de \u00e1gua, e a gente morria mesmo. Havia que aguentar ali e esperar que a \u00e1gua vazasse, porque, quando ela vazasse, havia hip\u00f3tese. O que t\u00ednhamos era que gramar ali, como gram\u00e1mos, aquelas cinco horas.&#8221;Ali, &#8220;a aguentar o mar, pumba, pumba, o mar a bater&#8221;. &#8220;Era sempre \u00e1gua em cima da gente, sempre, sempre, sempre&#8230; sempre ali agarrados.&#8221; Cinco horas, desde as 10h30, com o corpo cada vez mais frio, mais fraco, mais roxo. At\u00e9 que a \u00e1gua baixasse e deixasse a descoberto uma coroa de areia, ali perto, onde os n\u00e1ufragos n\u00e3o teriam mais que \u00e1gua pelo peito, no meio do rio. &#8220;Quando a gente est\u00e1 nesta situa\u00e7\u00e3o, lembra-se de tudo e mais alguma coisa&#8221;, recorda Manuel Aranha. &#8220;Lembra-se da fam\u00edlia, de tudo. \u00c9 o fim&#8230; <\/div><\/p>\n\n\n\n<p><div>Tive sempre esperan\u00e7a que me salvava e influ\u00ed sempre os meus colegas. Dizia-lhes: &#8216;Tenham calma que a gente salva-se, tenham calma que a gente salva-se.&#8217; Eles estavam assim mais para o lado do pessimismo: &#8216;A gente morre todos aqui, a gente j\u00e1 n\u00e3o se salva.'&#8221;Manuel Aranha sabia que, uma vez em p\u00e9 nessa coroa de areia, o grupo teria oportunidade de se preparar, f\u00edsica e psicologicamente, para atravessar o peda\u00e7o de rio at\u00e9 aos loda\u00e7ais, mais perto da margem. Depois de ultrapassados, a p\u00e9, bastaria atravessar a nado um bra\u00e7o de rio mais estreito para chegar a terra. <\/div><\/p>\n\n\n\n<p><div>\u00c9 por essa fantasmag\u00f3rica imagem de quatro homens enregelados, como que paralisados em p\u00e9 no meio do azul do rio, apenas meio submersos na \u00e1gua e olhar perdido ao longe, na direc\u00e7\u00e3o da margem, que &#8220;Tarde Demais&#8221; abre o seu primeiro plano. V\u00edtor Norte, Nuno Melo, Adriano Luz e Carlos Santos fazem o percurso de Manuel Aranha, Joaquim Silva, Z\u00e9 Fragateiro e Ant\u00f3nio Fragateiro. &#8220;Olhem que isto \u00e9 perto do olho e longe do bra\u00e7o&#8221;, diz no filme Carlos Santos, como o ter\u00e1 dito Ant\u00f3nio, o mais velho dos quatro pescadores. &#8220;O Ant\u00f3nio dizia que n\u00e3o ia, que da parte dele n\u00e3o tinha hip\u00f3tese de fazer a travessia. E o outro colega [Joaquim Silva] tamb\u00e9m estava em d\u00favida, porque sabia nadar pouco&#8221;, conta Manuel Aranha. &#8220;Abalou o Z\u00e9 primeiro. Eu fui o \u00faltimo, quer dizer, a seguir ao Z\u00e9 fui eu.&#8221; Ant\u00f3nio regressou ao barco onde Joaquim Silva tamb\u00e9m acabou por ficar. Horas depois, quase \u00e0s 15h30, Manuel Aranha j\u00e1 conseguira atravessar o rio. &#8220;Depois apanhei o lodo e fui direito \u00e0 lez\u00edria. J\u00e1 tinha uma vis\u00e3o daquele s\u00edtio porque conhecia mais ou menos aquilo e pensei: &#8216;Bom, o caminho \u00e9 este.&#8217; E aparece-me o Z\u00e9, a gritar, a chamar-me, mas ele, coitado, n\u00e3o podia&#8230; Vinha a gatinhar pelo lodo, porque n\u00e3o tinha for\u00e7as. Eu tentei levant\u00e1-lo e traz\u00ea-lo para a borda do praia-mar que \u00e9 o s\u00edtio onde a \u00e1gua chega, quando enche. Pondo-o ali a \u00e1gua j\u00e1 n\u00e3o pegava nele para o levar. Mas n\u00e3o podia lev\u00e1-lo, n\u00e3o podia, de maneira nenhuma. Se aquilo fosse uma estrada, podia esperar e pedir boleia, mas \u00e9 que n\u00e3o podia mesmo. Ent\u00e3o tive que deix\u00e1-lo l\u00e1. Deixei-o l\u00e1. Custou-me muito&#8230; E os outros ficaram para tr\u00e1s. O Joaquim, sei que no outro dia apareceu morto. O Ant\u00f3nio amarrou-se ao barco, ao guindaste, e esperou que algu\u00e9m aparecesse.&#8221;A situa\u00e7\u00e3o vivida em pleno rio manteve-se depois, no meio do lodo, com o pescador a arrastar-se pela lama onde se escondem cascas de ostras e lamujinhas que cortam os p\u00e9s e tornam penosa a caminhada. Sempre com Lisboa \u00e0 vista. &#8220;Aquilo \u00e9 p\u00f4r o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 larga. Chega a um ponto que a gente aquece e j\u00e1 n\u00e3o sente nada. Tinha era que acelerar aquilo. Ca\u00ed muitas vezes, para dentro das covas, que a gente n\u00e3o v\u00ea. Ca\u00ed muitas vezes, mesmo muitas vezes&#8230; Havia alturas em que dizia para comigo: &#8216;N\u00e3o sei se v\u00e1, se fique.&#8217; As for\u00e7as j\u00e1 estavam a faltar, porque eram j\u00e1 muitas horas. Mas depois vinha aquela coisa de a pessoa chegar, chegar a terra&#8230; Eu estava sempre a ver as luzes de terra do lado de Lisboa, do lado de Sacav\u00e9m.&#8221;Neste momento Manuel Aranha, como os seus companheiros, estavam naufragados desde as 10h30, deveriam ter regressado a casa pela hora do almo\u00e7o, mas era de novo noite &#8211; depois de terem sa\u00eddo para o mar \u00e0s 4h30 da madrugada anterior. Que se passava em terra? Ningu\u00e9m deu conta?! A maioria dos pescadores achou que, aproveitando uma mar\u00e9 de sorte na pesca ao robalo, Z\u00e9 Fragateiro e os colegas tinham decidido ficar at\u00e9 mais tarde. Mas apenas alguns sabiam que por volta das 11h uma s\u00e9rie de trabalhadores da nova ponte tinha descoberto, enroladas nos pilares que erguiam, as redes partidas e cheias de peixe, que na altura do naufr\u00e1gio a mar\u00e9 tinha levado. &#8220;Essas pessoas \u00e9 que andaram mal. Quando aparecem assim umas redes, abandonadas, com peixe, peixe fresco, e n\u00e3o aparece o barco, deve-se pensar duas vezes&#8230;&#8221;, comenta hoje Ant\u00f3nio Aranha com vis\u00edvel revolta. Depois, \u00e0 medida que o dia se foi escoando, as fam\u00edlias dos n\u00e1ufragos e um pintor que frequentava a associa\u00e7\u00e3o de pescadores do Montijo come\u00e7aram a movimentar-se. E, visto que j\u00e1 de noite tinham sa\u00eddo goradas as tentativas de duas barcas que se tinham prestado a sair em busca dos n\u00e1ufragos, a grande esperan\u00e7a era fazer sair um helic\u00f3ptero. N\u00e3o foi f\u00e1cil. O cabo de mar n\u00e3o podia fazer nada, n\u00e3o tinha autoridade para fazer levantar o helic\u00f3ptero. Era necess\u00e1rio sair da unidade para falar por telefone com os superiores. Tentou-se, mas do outro lado da linha perguntava-se se tudo n\u00e3o era uma brincadeira. &#8220;Ent\u00e3o brinca-se com estas coisas?&#8221;, interroga-se perplexo o pintor. &#8220;Chamaram-me trapalh\u00e3o, que estava a brincar, at\u00e9 que foi ao telefone a mulher do Z\u00e9 [Fragateiro], a chorar.&#8221; Finalmente, atrav\u00e9s da GNR a pol\u00edcia mar\u00edtima enviou dois barcos. Nessa altura, sup\u00f5e-se, o mais dif\u00edcil ainda estava por chegar a Manuel Aranha: ap\u00f3s os loda\u00e7ais, &#8220;havia outra vez um bra\u00e7o do rio&#8221;. &#8220;Tive que o atravessar tamb\u00e9m. A\u00ed custou um bocadinho, tive que recuar porque ia muito quente, ia a fazer esfor\u00e7o, e, quando entrei na \u00e1gua, ela estava gelada, come\u00e7ou a arrefecer-me. Tive medo e recuei. Fiquei [faz um gesto com a m\u00e3o pelo peito] e depois fui lentamente. Quando me apanhei do outro lado, a\u00ed \u00e9 que eu disse: &#8216;Eu acho que por mim j\u00e1 estou salvo, agora vamos l\u00e1 a ver se consigo salvar os outros dois que est\u00e3o l\u00e1.&#8217; Um sabia eu que ia morrer de certeza, o Z\u00e9. N\u00e3o dizia coisa com coisa. N\u00e3o tinha for\u00e7as, n\u00e3o se conseguia levantar. Podia estar l\u00e1 aquela cadeira e ele a perguntar-me: &#8216;O que \u00e9 aquilo?&#8217; Do frio, de tudo, ele estava roxo.&#8221;Manuel Aranha foi dar a um cais da BP onde, como testemunha, foi ajudado. &#8220;Eles perceberam logo o que se tinha passado&#8230; Um homem s\u00f3 em cuecas, naquele estado.&#8221; Um m\u00e9dico n\u00e3o permitiu que Manuel Aranha, que at\u00e9 tinha &#8220;na ideia acompanhar as buscas da pol\u00edcia mar\u00edtima&#8221;, se voltasse a levantar. Em vez disso desenhou um mapa, com a sinaliza\u00e7\u00e3o de b\u00f3ias, para que as buscas pudessem seguir de forma a encontrar o barco. E eventuais sobreviventes. Foi por isso que Ant\u00f3nio Fragateiro foi descoberto, amarrado ao barco. De Joaquim Silva n\u00e3o havia sinal e, para o descobrir, como a Z\u00e9 Fragateiro, seria necess\u00e1rio, de facto, fazer levantar um helic\u00f3ptero, o que, segundo as autoridades, era imposs\u00edvel devido \u00e0 escurid\u00e3o e mau tempo. E a maioria das pessoas que poderia insistir achava que todos j\u00e1 tinham sido salvos. S\u00f3 na manh\u00e3 seguinte o helic\u00f3ptero levantou, quando Joaquim Silva e Jos\u00e9 Fragateiro j\u00e1 estavam mortos. Jos\u00e9 Fragateiro n\u00e3o morreu afogado, morreu na lama, a seco, de frio. Quando chegaram os helic\u00f3pteros, j\u00e1 l\u00e1 estavam os pescadores, para trazer os corpos. Comentam os pescadores que pouco tempo antes esses mesmos helic\u00f3pteros tinham levantado voo de noite para ir a um acampamento de ciganos sob suspeita de tr\u00e1fico de droga.Manuel Aranha s\u00f3 voltou ao mar dois meses ap\u00f3s o naufr\u00e1gio. Num dia estranho em que tamb\u00e9m poderia ter acontecido alguma coisa. &#8220;O que aconteceu deixou tudo desarranjado. Desde ent\u00e3o a vida s\u00f3 andou foi para tr\u00e1s.&#8221;<\/div><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TARDE DEMAIS conta a hist\u00f3ria de quatro homens que tentam sobreviver ao naufr\u00e1gio de uma velha canoa de pesca no meio do rio Tejo. 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