{"id":1013,"date":"2008-01-09T12:20:56","date_gmt":"2008-01-09T12:20:56","guid":{"rendered":"http:\/\/josenascimento.com\/tardedemais\/?p=535"},"modified":"2008-01-09T12:20:56","modified_gmt":"2008-01-09T12:20:56","slug":"caxinas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/josenascimento.com\/tardedemais\/2008\/01\/09\/caxinas-2\/","title":{"rendered":"Caxinas"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-606\" src=\"http:\/\/josenascimento.com\/tardedemais\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2013\/10\/caxinas-300x233.png\" alt=\"caxinas\" width=\"300\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/josenascimento.com\/tardedemais\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2013\/10\/caxinas-300x233.png 300w, https:\/\/josenascimento.com\/tardedemais\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2013\/10\/caxinas.png 330w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u00abNo frio Dezembro de 1995 li um artigo da Laurinda Alves, na revista de O Independente, sobre o naufr\u00e1gio de um barco de pesca artesanal no meio do rio Tejo.<\/em><\/p>\n<div align=\"justify\"><em>Dois homens tinham perdido a vida. As circunst\u00e2ncias em que se tinha dado o acidente pareceram-me, no m\u00ednimo, bizarras. As autoridades competentes, embora avisadas, n\u00e3o sa\u00edram imediatamente para o rio para os salvar, os poucos pescadores que resistiam \u00e0s normas da CEE para os estu\u00e1rios, n\u00e3o ousaram ir para o mar com a tempestade que estava, a burocracia para fazer sair um helic\u00f3ptero da base a\u00e9rea do Montijo, indiscrit\u00edvel. Isto tudo a dois passos de Lisboa.<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Estava feito o quadro geral da trag\u00e9dia. O rio continua polu\u00eddo, a maior parte da frota das canoas pesqueiras foi queimada, a pesca artesanal est\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o, a nossa pr\u00f3pria cultura est\u00e1 a ser mais uma vez devastada.<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Peguei na minha c\u00e2mara de v\u00eddeo e comecei por fazer um levantamento pormenorizado da sequ\u00eancia dos acontecimentos, recolhi os testemunhos dos sobreviventes, sinto o desepero da espera e a dor das fam\u00edlias. Envolvi-me definitivamente com os futuros personagens do filme quando soube que um dos pescadores era pai de uma amiga minha.<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>A dramaturgia estava desde o in\u00edcio tra\u00e7ada. Qualquer aproxima\u00e7\u00e3o ao tema era, s\u00f3 por si, estimulante. O filme j\u00e1 tinha come\u00e7ado a acontecer sem que eu tivesse dado por isso<\/em>.\u00bb<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/fotos.sapo.pt\/cachinare\/pic\/0007zct1\/\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/fotos.sapo.pt\/cachinare\/pic\/0007zct1\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"235\" align=\"left\" border=\"1\" hspace=\"4\" vspace=\"4\" \/><\/a>Este texto publicado no site da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.madragoafilmes.pt\/filme.asp?ID=39\">Madragoa Filmes<\/a>\u00a0(no qual podem ler a sinopse do filme), revela a raz\u00e3o pela qual o realizador Jos\u00e9 Nascimento decidiu fazer este filme de nome \u201cTarde Demais\u201d. O filme esteve presente no Festival Fantasporto em 2001 ganhando o pr\u00e9mio para Melhor Filme Portugu\u00eas do Ano. Ora sendo o Fantasporto baseado em pe\u00e7as de cinema que normalmente \u201ccausam arrepios\u201d, a hist\u00f3ria destes 4 pescadores numa situa\u00e7\u00e3o de morte previs\u00edvel, no meio de um ambiente frio, escuro e h\u00famido encaixa-lhe perfeitamente.<\/div>\n<div align=\"justify\">Tal como o realizador diz, a trag\u00e9dia foi ver\u00eddica em 1995, mesmo nas barbas da Capital&#8230; tal como foi ver\u00eddico o naufr\u00e1gio do \u201cLuz do Sameiro\u201d, de Vila do Conde, a 50 metros da praia morrendo 6 pescadores e salvando-se 1. O caso do \u201cLuz do Sameiro\u201d foi falado em tudo o que era s\u00edtio, desde o Parlamento, partidos pol\u00edticos, jornais e televis\u00f5es, por parecer que algo n\u00e3o fazia sentido em naufragar a 50 metros da praia e os mecanismos de salvamento pouco fazerem.<\/div>\n<div align=\"justify\">O que passou, passou. De novo morrem pescadores, de novo das Caxinas, mas pouco interessa de que terra s\u00e3o. S\u00e3o \u00e9 das suas fam\u00edlias que t\u00eam de continuar a viver e aceitar a agonia de quem lhes era querido e viu terrivelmente a morte a chegar, fria e h\u00famida.<\/div>\n<div align=\"justify\">Gostaria que se fizessem filmes de outro calibre em Portugal, com menos arte e mais realidade e nem sempre \u00e9 preciso mundos e fundos para que se fa\u00e7am, basta intelig\u00eancia e vontade. Recordo que quando se fez o m\u00edtico \u201cAla-Arriba\u201d de Leit\u00e3o de Barros, a maioria dos actores eram a pr\u00f3pria comunidade piscat\u00f3ria da P\u00f3voa de Varzim. N\u00e3o faltam hoje em dia gentes que ter\u00e3o todo o gosto e orgulho em que algu\u00e9m os filme na sua labuta, que os metam em ecrans de televis\u00e3o ou cinema.<\/div>\n<div align=\"justify\">Um bom exemplo disso, \u00e9 o filme de 1998 \u201cA Companha do Jo\u00e3o da Murtosa\u201d, de Paulo Nuno Lopes e Helena Lopes. Relativo a ele e de extrema import\u00e2ncia \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de quem trabalha artesanalmente, com pequenos barcos tradicionais. A Europa paga para que sejam queimados, mas o gosto pelo mar h\u00e1-de sempre persistir e se n\u00e3o for em trabalho, ser\u00e1 em divers\u00e3o que os homens e mulheres do litoral manter\u00e3o os seus barcos, tal como j\u00e1 se faz muito na Galiza, havendo bons n\u00edveis disso no Tejo e vendo-se um lento renascer nalguns pontos da costa.<\/div>\n<div align=\"justify\">Haver\u00e1 tempo para escrever muito sobre isso.<\/div>\n<\/div>\n<div><strong>Tags:<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt\/tag\/barcos+tradicionais\" rel=\"tag\">barcos tradicionais<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt\/tag\/caxinas\" rel=\"tag\">caxinas<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt\/tag\/multim%C3%A9dia\" rel=\"tag\">multim\u00e9dia<\/a><\/div>\n<div>publicado por cachinare \u00e0s 12:42<br \/>\n<a href=\"http:\/\/caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt\/14236.html\">link do post<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"http:\/\/caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt\/14236.html?mode=reply#reply\" rel=\"nofollow\">comentar<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"http:\/\/blogs.sapo.pt\/tools\/memadd.bml?journal=caxinas-a-freguesia&amp;itemid=14236&amp;cw=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">adicionar aos favoritos<\/a><\/p>\n<div>\n<div id=\"st14236\">\n<div><a title=\"Twitter\" href=\"http:\/\/twitter.com\/intent\/tweet\/?url=http%3A%2F%2Fcaxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt%2F14236.html&amp;text=Tarde%20Demais.+via+%40SAPO+ShareThis\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/js.sapo.pt\/Assets\/Images\/ShareThis\/twitter.gif\" alt=\"Twitter\" \/><\/a><a title=\"Facebook\" href=\"http:\/\/www.facebook.com\/share.php?u=http%3A%2F%2Fcaxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt%2F14236.html&amp;t=Tarde%20Demais.\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/js.sapo.pt\/Assets\/Images\/ShareThis\/facebook.gif\" alt=\"Facebook\" \/><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abNo frio Dezembro de 1995 li um artigo da Laurinda Alves, na revista de O Independente, sobre o naufr\u00e1gio de um barco de pesca artesanal no meio do rio Tejo. 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